Como calculamos a rentabilidade da sua carteira?

Para encontrar a rentabilidade correta da sua carteira de investimento será preciso conhecer algumas fórmulas.
Oliver Imhof

Oliver Imhof

Publicado em: 09/04/2022

Para encontrar a rentabilidade correta da sua carteira de investimento será preciso conhecer algumas fórmulas.

Às vezes os investidores podem acabar cometendo alguns erros e construindo uma carteira que não está gerando ganhos verdadeiros. Por mais que haja rendimentos, a carteira não consegue entregar ganhos reais.

Considerando os riscos que existem no mercado financeiro e a quantidade de tipos de investimentos, você sabe como calcular a rentabilidade da sua carteira?

Se você tem curiosidade ou dúvidas sobre o assunto, acompanhe o nosso artigo e conheça mais sobre como calcular a rentabilidade da carteira.

Juro simples e juro composto

Duas fórmulas importantes para conhecer mais sobre a rentabilidade de diversos investimentos é referente ao juro simples e composto.

Na verdade, o juro composto é mais relevante, uma vez que há poucos investimentos que trabalham com o juro simples.

Por exemplo: a imensa maioria dos CDBs, Letras do Tesouro Direto, LCs, LCIs, LCAs e similares, vão entregar rendimentos atrelados ao juro composto.

Para compreender melhor o juro composto, vamos primeiro conhecer o juro simples. Ao investir em um título que paga 1% ao mês e o cálculo é baseado no juro simples, o investidor terá que fazer o seguinte cálculo: valor do investimento x 1% = valor referente aos juros.

Se o valor investido é de R$ 1.000,00, então o cálculo fica assim: R$ 1.000,00 x 1% = R$ 10,00. Portanto, o ganho será de R$ 10,00 ao mês. Se o investimento tem uma duração de um ano, então o investidor vai receber R$ 120,00.

Agora no juro composto, a fórmula é a seguinte: M = C * (1 + i)^t

“M” é o resultado do cálculo. “C” é o valor aplicado, “i” é a rentabilidade, e t é o tempo de aplicação.

Portanto, se o valor inicial é R$ 1.000,00, o rendimento é de 1% ao mês e o período é de 12 meses, então a fórmula fica assim:

  • M = 1000*(1+0,01)^12
  • M = 1.126,82

Comparado ao juro simples, o resultado do juro composto é maior, uma vez que o cálculo é baseado no juro sobre juro, enquanto o simples é baseado no cálculo do juro sobre o valor do principal, sem acumular o resultado do juro sobre juro.

Como calcular os ganhos com a renda variável?

A valorização dos ativos de renda variável também deve ser avaliada dentro da carteira do investidor. Para isso, o investidor deverá fazer o seguinte cálculo: (Preço atual ÷ Preço anterior) * 100 – 100.

Vamos supor que a ação XXX foi adquirida pelo valor de R$ 10,00 e depois de dois meses, a mesma é negociada a R$ 15,00.

Ao colocar tais números na fórmula, vamos descobrir a seguinte rentabilidade: (15 ÷ 10) * 100 – 100 = 50%. Portanto, a valorização da ação XXX foi de 50%.

Como calcular a rentabilidade da carteira?

Agora que o investidor já sabe como aplicar o juro composto e como reconhecer a valorização de ativos de renda variável vamos aplicar tudo isso no próximo exemplo:

  • 25% Tesouro Selic, que rendeu 8% no último ano;
  • 25% de um CDB, com rendimento de 13% no mesmo período;
  • 30% do FII XXX, que rendeu 11%;
  • 20% da ação YYY, com rendimento de -5%.

Uma carteira com tais características terá a rentabilidade calculada dessa forma:

  • 0,25 * 0,08 = 0,02
  • 0,25 * 0,13 = 0,0325
  • 0,3 * 0,11 = 0,033
  • 0,20 * -0,05 = -0,01

Ao somar todos os resultados, alcançamos o número de: 0,0755. Multiplicando o valor por 100, temos a seguinte porcentagem: 7,55%. Portanto, a carteira como um todo rendeu 7,55% dentro do período de 12 meses.

Como calcular a rentabilidade real?

Calcular a rentabilidade real é algo muito importante. Como existe a inflação, os efeitos positivos de uma carteira podem ser mitigados pela alta da inflação.

O que isso quer dizer?  Vamos supor que a inflação do país terminou o ano em 7%. Já a rentabilidade da carteira do investidor ficou em 6% no ano, isso significa que a rentabilidade real da carteira ficou assim:

  • Rentabilidade real = (1 + rendimentos) ÷ (1 + inflação) – 1.
  • Rentabilidade real = (1+0,06)/(1+0,07) – 1
  • Rentabilidade real = -0,934%

Nesse caso, a rentabilidade real da carteira ficou negativa, portanto, o investidor aqui, por mais que tenha conseguido uma rentabilidade boa, devido a inflação alta, não conseguiu manter o seu poder de compra.

Agora se o investidor ao invés de 6%, conseguisse 10% de rentabilidade, a carteira teria outra performance.

  • Rentabilidade real = (1 + rendimentos) ÷ (1 + inflação) – 1.
  • Rentabilidade real = (1+0,10)/(1+0,07) – 1
  • Rentabilidade real = 2,8%

Nessa nova situação, a carteira estaria registrando um ganho real de 2,8%. Portanto o investidor além de bater a inflação, estaria conseguindo emplacar um ganho real sobre o aumento dos preços.

Conclusão

Investir e conseguir uma boa rentabilidade, muitas vezes não é o suficiente. Devido a outros fatores, como a inflação, mesmo uma rentabilidade alta, pode estar abaixo da alta dos preços. Uma carteira que rende menos que a inflação vai implicar em perda de compra do investidor.

Observando isso, é importante manter um bom controle na carteira de investimento. Além do controle, o investidor precisa fazer os cálculos certos para determinar se a evolução da carteira está de acordo com o cenário de mercado.

O controle da carteira inclusive vai ajudar a determinar alterações nos planos de investimentos. Por exemplo: em momentos de juro maior, a renda variável normalmente não performa bem, fato que exige uma mudança de estratégia.

Com juros maiores, o investidor pode estar dando mais prioridade a títulos de renda fixa, por exemplo. Já em momentos de juro no chão e baixa inflação, a renda variável ganha força.

Essas mudanças de cenário são perceptíveis dentro da carteira. Portanto, ao manter um bom controle da rentabilidade da carteira, o investidor vai conseguir performar melhor e tomar as melhores decisões. 


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