O que é alocação de ativos?

Alocação de ativos é uma estratégia que pode gerar ótimos retornos ao investidor no longo prazo. No curto prazo os ganhos também podem aparecer, mas é comum que os resultados ocorram em períodos mais longos.
Oliver Imhof

Oliver Imhof

Publicado em: 11/04/2022

A estratégia de alocação de ativos depende de alguns mecanismos. Não há como só investir e diversificar a carteira de qualquer forma. O investidor precisa traçar uma estratégia, definir como será a alocação e quais serão os objetivos e porcentagens da carteira.

Assim, a alocação de ativos vai ser útil e terá efeito positivo. Outro ponto importante é a disciplina e paciência. Como estamos tratando de uma estratégia que pode levar mais tempo para surtir efeito, a paciência é fundamental.

Definindo a estratégia

A primeira coisa que precisamos fazer ao definir uma estratégia de alocação de ativos é avaliar qual tipo de investimento será utilizado em nossa carteira.

O investidor vai ficar somente em renda fixa ou vai fazer uma carteira mais diverficada, com um “mix” de renda fixa e variável? Sempre é bom fazer uma “mistura” entre renda fixa e variável, uma vez que tais investimentos possuem relação inversa, ou seja, às vezes quando o juro sobe, as ações caem, ou vise e versa.

Vamos supor que o investidor possui um perfil mais moderado e vai partir para uma estratégia de 30% em renda variável e 70% em renda fixa.

Ao definir esses limites, o investidor deverá se comprometer em manter os mesmos. O que isso significa?

Significa que se a renda fixa subir e alcançar 75% da carteira, o investidor terá que vender parte da renda fixa e alocar tais recursos na renda variável.

Terá que fazer essa movimentação o suficiente para voltar o equilíbrio de 70% em renda fixa e 30% em renda variável.

Portanto, a segunda coisa que deverá ser definida é o tempo para fazer esse “balanceamento”. O investidor vai fazer isso mensalmente? Trimestral? Semestral? Anual?

Aí fica por conta de o investidor avaliar e tomar a decisão. Vamos supor que o investidor decidir fazer o balanceamento trimestralmente.

Assim a carteira tem mais tempo para performar e o investidor terá mais tempo para ir pensando em quais ativos poderá investir e quais vender, por exemplo.

Balanceamento

O balanceamento é um dos sistemas mais importantes dentro da alocação de ativos. É por meio do balanceamento que a carteira vai ganhar potência e terá
capacidades de evoluir.

Então vamos lá, como é feito o balanceamento? Vamos supor que a carteira do investidor tenha 30% do capital investido em BOVA11 e 70% do patrimônio alocado e Tesouro Selic.

Ao passar três meses, o investidor vai verificar a carteira e a mesma está com 25% em BOVA11 e 75% em Tesouro Selic.

Com a desvalorização de BOVA11 e a rentabilidade apresentada pelo Tesouro Selic, a carteira registrou um desequilíbrio. Portanto, é hora do investidor equilibrar a carteira novamente vendendo parte do Tesouro Selic e comprando o BOVA11.

Sendo assim, o balanceamento da carteira volta para os 70% e 30%, enquanto a carteira vai ganhar mais cotas de BOVA11.

Se a queda da participação de BOVA11 dentro da carteira foi provocada por uma desvalorização do ETF, isso significa que se o ETF voltar a se valorizar é provável que haja fortes ganhos na parte de renda variável da carteira.

Por exemplo: uma carteira de R$ 10.000,00 que tem 30% em BOVA11, possui R$ 3.000,00 investidos no ETF. Vamos supor que haja 30 cotas de BOVA11, cada uma cotada a R$ 100,00.

Se em três meses a carteira fica com 25% em BOVA11 e 75% no Tesouro Selic e não há valorização da carteira, podemos dizer que BOVA11 está com um valor de R$ 2.500,00 na carteira, ou R$ 83,33 por cota. O balanceamento da carteira, para fazer voltar os 30% em BOVA11, vai levar ao aumento de cotas do ETF.

Se antes havia 30, agora haverá 34 cotas aproximadamente (desconsiderando uma eventual valorização das letras do Tesouro Selic e a queda do valor da carteira para um total de R$ 9.500,00).

Se BOVA11 simplesmente voltar aos R$ 100,00 à cota, a carteira simplesmente vai conseguir uma valorização de R$ 566,78, uma vez que há mais cotas agora. Com isso, a valorização potencializa os ganhos da carteira.

Relação inversa dos ativos

Não é uma obrigação manter ativos de relação inversa na carteira, mas, quando existem ativos assim, a alocação de ativos ganha mais força.

Voltando ao exemplo anterior, vamos considerar a valorização do Tesouro Selic. Portanto, se  no primeiro trimestre BOVA11 registrou queda de R$ 500,00 e o Tesouro Selic uma valorização de R$ 200,00 a carteira teria um valor total de R$ 9.800,00. Ou seja, no fim, haveria uma desvalorização de 2%.

Ao fazer o balanceamento, BOVA11 precisa ficar com R$ 2.940,00 e o Tesouro Selic com R$ 6.860,00.

Sendo assim, se antes havia 30 cotas de BOVA11, agora haverá 35 cotas e o restante, tudo no Tesouro Selic.

No trimestre seguinte, BOVA11 registrou valorização e terminou valendo R$ 105,00 a cota. O Tesouro Selic, por sua vez, registrou ganhos de R$ 150,00.

Como houve um aumento de cotas em BOVA11, a posição em BOVA11 ficou com um total de R$ 3.675,00 e o Tesouro Selic com R$ 7.010,00. A carteira como um todo ficou com um patrimônio de R$ 10.685,00.

Só para comparar, se o investidor não fizesse a alocação de ativos, dentro desses seis meses o investidor teria uma carteira com valor de aproximadamente R$ 10.550,00. Ou seja, com a simples movimentação de balanceamento entre os trimestres, o investidor já teria uma boa diferença.

Considerando um rendimento base de R$ 550,00, o balanceamento nos gerou um rendimento 24% a mais do que o ganho base. Isso é uma ótima diferença. Imagina
para períodos mais longos. 

Mas tudo isso só foi possível devido à relação inversa entre o Tesouro Selic e BOVA11. Nem sempre BOVA11 vai render enquanto o Tesouro Selic normalmente rende todos os meses.

Assim, quando o BOVA11 gerar prejuízos, o Tesouro Selic vai performar e isso vai ajudar a puxar a carteira para cima.

Ao balancear a carteira, haverá mais cotas de BOVA11 e isso vai ajudar a impulsionar ainda mais a carteira. A ideia é que em algum momento, BOVA11 consiga performar e assim, a carteira progrediu mais. 

Ao balancear novamente, o investidor consegue assegurar parte dos ganhos de BOVA11, comprando mais Tesouro Selic.  Desse modo, a carteira no longo prazo vai conseguir progredir muito. 


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